"Agora sei o que antes não sabia...Calmaria traz sempre represada Furia."

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Perda avessa

Perda que alivia
Dói e alivia

Sopro que na alma ardia
Doía calma
e alivia

Tranca as portas
sangra
some a chave
cala, canta
alivia

Ali via

Ali morava
roçava a pele
todo encanto
em solidão
de se nascer de novo
vazia



A liberdade que se faz
aliviada cria.


* proposta de escrita-a-quatro-mãos feita por Larissa Minghin, e aceita por este que vos escreve.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Muda


Jogando fora a pele velha que teimava em recolocar no corpo já outro.

A casa revirada ao avesso pra ser nova de novo, pra deixar janelas e portas abertas para a chegada. Um Sol novo no céu há de vir.

Virá, tranquilo e infalível.

Pois parece que a natureza entende quando é hora de levar as nuvens escuras embora e trazer a luz de volta.

Afasto de mim os cálices cheios e velhos.

E vou eu e os meus, eu familia, renovando.

Trans-formando.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Lenta letra luta


"se o que nos consome fosse apenas fome..."


As palavras cada vez cada dia cada minuto passeiam mais vagarosas pelos dedos.

Deixo o tempo de brotar das palavras pra nascer na tela.

Deixo ruir o que era antigo, deixo botar na terra o conto mais novo dentre tudo que não existe ainda.

Parir é uma arte. De muitas e boas horas. Sem sono. Só lendo na cabeça antes de chegar às mãos.

O poeta é a mãe das palavras ou apenas a parteira?

Terça-feira, Março 17, 2009

Encharca



Com os pés encharcados pela chuva, pés que nem vejo, debaixo dágua, pés de Édipo.


Que a chuva escorre pelas janelas dos vestidos e camisas de botão, escorregando faces faceira e mente que já finda. Chuva que desenha o contorno dos corpos apressados.


Que a chuva desnuda a cidade e seu caos. Que a cidade se alaga de problemas, de nada feito. De feito. As gravatas bóiam nas poças, pois os pescoços estão salvos em gabinetes anti-derrapantes. Hipermeabilizados pela ignorância e cansaço. Este passo cansado. Se me perguntasse como vai a vida, mas não perguntaria.


Que a cidade vira mar, com seus carros-ilhas, boiando.


A cidade a Sol aberto é sempre um copo cheio. E qualquer chuva é sempre a gota d'água. A cidade se transtorna, mas não transborda.


Alagados, meus pés cansados teimam. Temem, mas teimam.


E vão. Contra corrente.


Sábado, Abril 26, 2008

A musa


eu segui o mapa, aquele do tesouro, aquele com um "X" num lugar onde a gente nem espera.
Aquele onde todos os problemas se resolvem no fim do filme?
E adivinha o que encontrei?
Pois é.
Ela.
A musa.
Aquela.
Que eu amo.

Mar


Também de sal é feito o mar.


O mar é feito de sal e canções de amor.


O mar é feito de olhos de contemplação em dia de por do sol.


Dias de se pôr ao sol. Casamento agua-fogo.


Agua feita de gente.


Mar feito de amor pelo mar.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Agora Céu Azul




E se eu cresci?

A tempestade passou. (e virão outras)

O céu clareou. (a noite logo vem)

Agora não há mais restos e farelos de um passado distante no cinzeiro da sala que não habito mais.

Da janela onde via o mundo, revolta de mim mesma, só sobraram os últimos micro-cacos de vidro nas solas dos meus sapatos, do sobre-salto, saltando pra fora de uma vida que não era mais minha. Eu, ferina, felina apaziguada. Pelos chamegos de mãos que aconchegam.

Mansa, sentada, fumando um charuto cubano, lambendo minhas crias, meus rebentos. Com uma língua antes só acostumada a lamber as feridas carcomidas do mundo. Que o mundo antes vestia negras nuvens. Agora céu azul.

Banhada no rio, das aguas límpidas e barrentas. Esse rio não é mais o mesmo rio.

Você me viu, e agora ja não sou mais.

Desnuda das carcaças que tanto me tatuavam o corpo.

Apaixonada.

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Vem chegando...

Um pézinho.

Dedos já em formação.

Um coração que agita.

Nos desarma.

Mãos e braços que logo pedirão conforto em nossos.

Um corpo pequenino.

Minúsculo.

Pequeno furacão.